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Somos África



Sexta-feira, 01.03.13

Ricardo Teixeira na Mercedes!

Ricardo Teixeira, Piloto de competição de Nacionalidade Angolana é convidado desta semana do Somos África.

Diz que nasceu em Portugal por acidente, quando a situação em Angola já estava em degradação e a mãe decidiu vir a Portugal para dar a Luz e regressarem para Angola, regressaram mas por pouco tempo a guerra agudizou-se e como milhares de pessoas abandonaram a terra que os viu nascer.

 

Somos África-Ricardo Teixeira a sua paixão pela velocidade e pela competição começou há muitos anos, eras uma criança com 11 a 12 anos, quem é que te estimulou de onde vem esse gosto pela velocidade?

 

Ricardo Teixeira- Sinceramente já tinha tios que tinham sido pilotos no Lobito, logicamente nunca a nível professional ou internacional.
Mas tanto o meu Avo como o meu Pai foram judocas profissionais. Alias o meu Pai ganhou vários campeonatos enquanto representava o Judo Clube de Luanda e a Selecção Nacional.
Eu vim a quebrar essa tradição, o meu Pai por brincadeira começou a fazer corridas de karts e eu tive a sorte e a oportunidade de também ter tido um kart.
Para uma criança de 11 anos ter a oportunidade de guiar um kart que atingia 80kms era incrível e a partir de ai nunca mais quis outra coisa.

Somos África-Começou a correr a sério no campeonato ibérico de Juniores da BMW,com 16 anos  foi a entrada na antecâmera da verdadeira competição?


-Pode dizer-se que sim.
Naquela altura já tinha ganho muitas corridas na minha curta carreira internacional de karts. Nesse mesmo ano vinha a luta pelo Campeonato Português .
A Formula BMW Ibérica estava a dar oportunidades aos pilotos de karts com mais currículum para fazerem este salto para os Formulas. Tive a sorte de ter essa oportunidade e assim, dar inicio a minha carreira profissional de Formulas até chegar a F1.


Somos África-O Automobilismo  é um desporto caro, nessa altura ainda não tinhas o patrocínio da Sonangol, como é que conseguias competir?


-Foi difícil, ia arranjando pequenos patrocínios que me iam ajudando.
Tive que passar por imensos sacrifícios e limitações por muitas vezes longe do apoio da minha família. Isso fez me crescer bastante e perceber que era capaz de tudo para tornar os meus sonhos realidade.


Somos África-Depois da BMW Júnior mudaste de volante para a F3 Inglesa, um patamar já elevado a opção por correr com a bandeira e Angola teve a ver com o Patrocínio a Sonangol?


-Quando decidi ir para Inglaterra, fui completamente sozinho e tive a sorte de encontrar uma equipa chamada Rowan Racing que achou piada a minha coragem e acolheu me.

Estava a viver em casa dos donos, a trabalhar na oficina e em troca o Rowan punha me a correr no Campeonato Britânico de F3 classe B.
Nesse primeiro ano ganhei duas corridas e fiz cinco pódios , mas infelizmente quando liderava o campeonato o Rowan perde o patrocínio principal e tive que parar de correr para que entrasse pilotos com budget. Concentrei me só nos estudos e comecei o curso de Engenharia Mecânica na Universidade de Birmingham.


Somos África-Como foi a reação ao saberem que eras angolano, naquela altura Angola era pouco conhecida ou conhecida pelas piores razões?


-Não, desde que comecei a correr com 11 anos de idade que corro usando a minha nacionalidade Angolana.
Já estava na Formula 3 Britânica quando surgiu o apoio. Tal como disse anteriormente, o Rowan perde o patrocínio principal e apesar de eu estar a liderar o Campeonato fui forçado a parar de correr durante 1 ano e meio.
Passado um 1 ano e meio a minha Madrinha que estava na altura como Cônsul no Consulado Angolano em Portugal é que sugeriu contactar a Sonangol, pois era uma pena estar parado sem apoios.
É ai que surge a ajuda a partir da Sonangol Londres. Graças a Deus essa ajuda deu para voltar as pistas e continuar a minha carreira desportiva.

 

Somos África-Como foi a reação ao saberem que eras angolano, naquela altura Angola era pouco conhecida ou conhecida pelas piores razões?


-Não foi fácil, infelizmente havia muita publicidade negativa do nosso Paìs especialmente em Inglaterra.
Cheguei a ter algumas situações não muito agradáveis, mas com o decorrer do tempo consegui que no desporto automóvel e dado que as corridas são transmitidas em directo para quase todos os países mudar essa imagem.
Sinceramente e sem querer dar uma resposta vaidosa, tenho consciência que contribui bastante para uma boa imagem do meu Paìs.

 

Somos África- Depois de passares por várias equipas nas diversas Fórmulas surgiu em 2011 a noticias de que Ricardo Teixeira seria piloto de testes da Lotus como surgiu esse convite?


-Já em 2009 e 2010 estava no Mundo da Formula 1 como piloto de Desenvolvimento da Williams F1 juntamente com o actual piloto oficial dessa mesma equipe, Valteri Bottas.
Final de 2011 o meu engenheiro pessoal na Williams, Humphrey Corbett, que me acompanhava nas sessões de simulador de F1 e nas corridas de F2 aceita a pedido do conhecido Mike Gascoyne ir trabalhar para a Caterham F1 (ex. Team Lotus).
Tanto o Humphrey como o Mike acreditam bastante em mim e são eles que me levam para a Caterham F1 para ser piloto de Testes e Reserva de F1 em todos os Grande Prémios. Tornando me assim no primeiro piloto angolano na Formula 1 e o único africano nesse ano com a Super Licença.

 

Somos África-Foi nessa altura que a Sonangol deixou de apoiar, o que aconteceu?


-Quando assinei como Piloto de Testes da Caterham F1 não levei patrocínio. Fui contratado por gostarem de mim e por confiarem nas minhas capacidades.
A seguir a Caterham F1 deu me a oportunidade de passar para piloto oficial apartir de 2012 com eles, mas para isso logicamente era necessário o apoio do meu Paìs. Tal como aconteceu com todos os pilotos sem exepcao que estão neste momento como pilotos oficiais de Formula 1.
O Bernie criou a Formula 1 como um grande circo de negócios, e cria uma situação em que os patrocinadores no final do ano conseguem recuperar o investimento feito, além disso muitos patrocinadores no final do ano chegam a fazer um lucro colossal (ex. Santander, Total, etc).
Mas é pena, milhares de pilotos tentam chegar a F1, vários países que tentam por os seu pilotos na F1. Nos tivemos esta oportunidade, primeiro em 2011 quando a Williams queria me por como piloto oficial da HRT F1 e depois através da Caterham F1 que me promovia a piloto oficial apartir de 2012.
Claro que não vou mentir, sinto me bastante triste, pois trabalhei e dediquei me totalmente para chegar a este nível. Em milhares de pilotos com capacidades consegui ser escolhido para fazer parte desta elite da F1, e a seguir não dou o salto como piloto oficial devido a razões fora do meu controle.
Apesar de tudo, sinto um orgulho muito grande por ter posto o nome do nosso Paìs no ponto mais alto do Desporto Automóvel. É uma sensação difícil de explicar quando vemos a nossa bandeira no cimo da nossa box durante um grande Prémio de F1 e a ser visto pela televisão por Milhões de pessoas.

Somos África-A divida da Sonangol com a Rapax está a ser resolvida nos tribunais a petrolifera já deu sinais de resolver a situação?


-É uma situação bastante triste, sei que esta em Tribunal, mas não gostaria de extender mais do que isso.
A única coisa que eu quero é seguir a minha carreira para a frente e a continuar a defender as cores do meu Paìs com a mesma garra que tenho feito até agora.

 

Somos África-Nas últimas semanas alguma imprensa desportiva coloca-te na Mercedes, como piloto oficial confirma-se?
 -Graças a Deus ganhei muito nome estes últimos anos e fiquei bastante conhecido, então tenho tido bastantes convites tanto ainda dentro da Formula 1 como noutras categorias.
Sim ofereceram me um teste no SLS GT3, gostei bastante de guiar o carro e ter tido o privilegio de trabalhar com AMG nesse dia.
Mas ainda estou analisar o que vou fazer este ano, muito brevemente terei o meu programa desportivo definido. 

 

Somos África-Admite voltar a correr com as cores de Angola,mesmo com o recente conflito com a Sonangol?


Claro que sim, isso nem sequer se põem em causa, vou continuar a defender as cores do meu Paìs.

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por somosafrica às 14:07


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